Déficit das exportações sobe 316%

Por Gláucia Kirch

Segunda, 24/01/2011 11:48

As exportações brasileiras de produtos manufaturados registraram déficit de US$ 34,761 bilhões em 2010, salto de 316,5% em relação ao déficit de US$ 8,346 bilhões de 2009.

Os dados são do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi).

Os números comprovam que as importações de produtos industrializados com alto valor agregado, como aviões e automóveis, têm crescido muito mais que as exportações de produtos similares, abrindo “um fosso verdadeiramente colossal no comércio exterior de produtos manufaturados”, segundo análise do Iedi.

Segundo o levantamento, as importações de máquinas, equipamentos industriais e outros produtos industrializados de alto valor agregado cresceram muito mais do que as vendas externas no último ano, o que alavanou o déficit.

Conforme a entidade, "sinais da passagem de saldo para déficit de produtos industriais já se faziam presentes desde 2007, ano em que se deu uma forte queda do saldo. A situação teria um agravamento muito maior em 2008, quando foi registrado o primeiro déficit comercial (US$ 7,141 bilhões) desde 2002. O processo foi apenas momentaneamente contido em 2009 e retornaria com força verdadeiramente excepcional em 2010, resultando no déficit supracitado".

De acordo com a avaliação, os segmentos mais afetados foram o de alta e média-alta tecnologia, nos quais o Iedi define um "extraordinário avanço do déficit".

Com menor queda, mas ainda assim negativo, também aparece o setor de média-baixa tecnologia, que registrou pela primeira vez saldo negativo em 2010.

"Só a categoria de baixa intensidade tecnológica logrou superávit", afirma o documento divulgado pelo Iedi.

Como medidas para reverter o déficit, o Iedi sugere ações duras para neutralizar a concorrência desleal e efetivar acordos com parceiros comerciais para o combate do dumping e eliminação de subsídios governamentais de parceiros comerciais do país, além de promover reformas ou aprofundar medidas nas áreas de tributação, custo de capital, infraestrutura e encargos trabalhistas.

A entidade cita, ainda, que os efeitos das medidas acima só se efetivarão no médio ou no longo prazo, podendo ser antecipados para os principais setores afetados pela concorrência externa na forma de desonerações tributárias, rebates ou compensações aos exportadores por indevidas retenções de impostos (ICMS e PIS/COFINS).

O instituto também afirma, como medida salutar, "manter a política atual de controle de capitais e intervenções no câmbio, mas ampará-las em um programa fiscal que assegure uma maior redução da taxa de juros, com o objetivo de torná-la um menor atrativo à entrada de capitais".

Tags Negócios e Gestão exportação IEDI déficit alta tecnologia

Compartilhe

ASSINE A NEWSLETTER

Receba gratuitamente nossa Newsletter e as últimas atualizações.

Preencha o campo email corretamente.
Cadastro realizado com sucesso!