Defenda: das salas de aula para o mercado

Por Guilherme Neves

Terça, 19/07/2011 18:07

Defenda: das salas de aula para o mercado

Estudo recente do CNPq indica que 77% dos doutores ficam na universidade, sem se aventurar no mercado corporativo.

Na contramão da estatística, o doutorando Leonardo Fagundes deve receber o título de doutor junto com o de empresário bem-sucedido.

Prestes a completar um ano de vida, em agosto, a empresa fundada por Fagundes, a Defenda –, sediada no Tecnosinos, em São Leopoldo – já tem faturamento de R$ 380 mil, e deve chegar ao fim de 2012 com o triplo da cifra atual.

Em 12 meses de negócios, foram 14 projetos, e uma equipe que começou com quatro pessoas, e hoje chega a 15.

Acompanhando o crescimento, a Defenda saiu de uma pequena sala para um espaço três vezes maior.

Segundo Fagundes, que tem na Defenda sua primeira experiência como empresário, ao lado do sócio Fernando Karl, conta que a empresa surgiu sem planejamento nenhum, na contramão da oferta e procura.

“A Defenda nasceu do nada, de uma ligação numa quarta-feira de agosto em que uma empresa nos pediu ajuda na área de segurança. Daí, não paramos mais”, relembra Fagundes.

Equipe de peso
O primeiro cliente, cujo nome o diretor não revela, ligou para as pessoas certas.

Fagundes é formado pela Unisinos em Análise de Sistemas e tem mestrado em Computação Aplicada na mesma universidade, onde coordena a graduação em Segurança da Informação. Atualmente, é também doutorando na UFRGS, em Computação.

Sem falar nas certificações na área de segurança.

O time que acompanha Fagundes soma títulos da Associate Member of Business Continuity Institute (AMBCI) e da Associate Business Continuity Professional (ABCP), além da ITIL Foundations, Auditor Líder ISO/IEC 27.001 (LA ISO 27001) e Certified Information Security System Professional (CISSP).

A Defenda também é a única representante no Brasil da Veracode, empresa especializada em análise de segurança de aplicações, e ainda conta com parceria da americana Qualys.

Resistência dentro da TI ...
Tudo é tocado por ex-alunos e atuais professores e estudantes da Unisinos.

Inclusive uma das ferramentas, a Forense Digital Tool Kit (FDTK), foi criada durante o trabalho de conclusão de curso de um orientando de Lemes, Paulo Neukamp, e hoje é aplicada nas soluções de segurança oferecidas aos clientes.

Valer-se da prata da casa não é só uma questão de comodidade. Fagundes destaca que há poucos profissionais na área de segurança, fruto, na opinião do executivo, da falta de maturidade da área.

“Outras áreas, como desenvolvimento de sistemas, já passaram por todo um processo de padronização que a segurança ainda está trilhando”, diz Fagundes.

Hoje, a Unisinos oferece a única graduação em Segurança da Informação certificada pelo Ministério da Educação.

… e no mercado
A resistência também existe no mercado. Especialmente o empresário gaúcho, ressalta Fagundes, ainda se “faz de difícil” na hora de adotar medidas preventivas de segurança.

De acordo com o empreendedor, o mais comum é só lembrar da segurança depois que dá algum problema. A TI, diz Fagundes, até insiste em reforçar a segurança, mas a área de negócios – ou o CFO – não enxerga a prevenção como investimento, mas sim como gasto desnecessário.

“Ainda na semana passada, uma empresa em que nós estivéramos há um mês me ligou porque teve um vazamento de dados. Infelizmente, só lembraram da segurança depois de haver o incidente”, lamenta Fagundes.

Além de problemas de segurança, relembra o executivo, ser forçado por órgãos reguladores também é motivo para adoção de medidas protetivas.

Hoje, no Rio Grande do Sul, a empresa tem três grandes clientes – Unimed Vale do Sinos, Renner e Souza Cruz. Em São Paulo, a Defenda atua como colaboradora em projetos de outras empresas.

Um dos últimos projetos fechados pela Defenda foi no Chile, que demandará profissionais no Rio de Janeiro e em Fortaleza. Além desses locais, a empresa possui representação comercial em São Paulo.

Menos segurança em 2011
Levantamento divulgado pelo instituto Gartner no ano passado, indicava que os orçamentos de TI incluiriam entre 3% e 6% menos investimentos na área de segurança da informação em 2011.

A queda estaria relacionada ao reaquecimento da economia, já que, durante a crise, este foi um dos únicos segmentos em que as empresas seguiram investindo.

Em relação às prioridades, gerenciamento de identidade e acesso deve receber o maior aporte, com 20% da preferência. Já 40% das companhias se dividem entre prevenção de intrusos, gerenciamento de correções de segurança, prevenção de perda de dados, antivírus e gerenciamento de identidade.

Tags Software Quentinhas do baguete segurança da informação Tecnosinos consultoria Defenda

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