NUVEM

Oracle quer derrotar Amazon

Por Maurício Renner

Segunda, 19/09/2016 16:26

Oracle quer derrotar Amazon

A Oracle quer destronar a Amazon do posto de líder de mercado em computação em nuvem.

O objetivo foi estabelecido pelo presidente da empresa, Larry Ellison, durante o keynote de abertura do Oracle Open World, em São Francisco, neste domingo, 18.

A principal arma da Oracle no combate deve ser preço. Elisson disse que a chamada Generation 2 IaaS ofecerá o dobro de capacidade de computação e memória, quatro vezes mais capacidade de armazenamento e dez vezes mais I/O por 20% menos do valor do concorrente, resultando num preço de US$ 5,4 por hora, contra US$ 6,82 da Amazon.

“Eu respeito a Amazon, eles foram os pioneiros nessa área, mas nós vamos dar um salto sobre eles”, afirmou Elisson, destacando que computação na nuvem é uma “commoditie como gasolina ou energia” e que nesse contexto preço é o diferencial mais importante.

Mas nem toda a estratégia da Oracle está baseada em preço, um requisito no qual, aliás, a multinacional pode esperar uma resposta rápida da Amazon, conhecida pelos descontos agressivos nos valores dos seus serviços.

Em sua apresentação, Elisson destacou que a nova oferta da Oracle seguirá a estratégia tecnológica de outras ofertas da companhia.

Para os clientes corporativos, a parte mais importante disso é o compromisso com a compatibilidade de estruturas em nuvens públicas, privadas e data centers próprios, além da adoção de padrões abertos de tecnologia.

“Mesmo que a maioria acabe migrando para a nuvem, ainda teremos pelo menos 10 anos de coexistência entre diferentes abordagens”, previu Elisson.

De olho nisso, a Oracle anunciou o Cloud@Constumer, uma oferta pela qual o cliente pode ter na sua infraestrutura local uma máquina com hardware e software idênticos aos do data center da companhia, cobrada pelo mesmo modelo de pagamentos mensais.

Elisson colocou a entrada no mercado de infraestrutura como serviço (IaaS, na sigla em inglês) como mais um passo da Oracle na corrida da computação na nuvem, no qual o executivo acredita ter deixado outros concorrentes na poeira.

Na visão de Elisson, a Oracle venceu a SAP quando o assunto é software como serviço (SaaS), em aplicações como software de gestão, e a IBM quando o tema é plataforma como serviço (PaaS) em ofertas de middleware e analytics.

Larry Elisson fez no seu keynote o que os líderes de gigantes de tecnologias fazem: estabeleceu uma meta e fez parecer que ela será facilmente atingida. A realidade é um pouco mais complicada do que isso.

Para começar, a vantagem da Amazon é grande. Segundo uma pesquisa da Synergy Research Group, a empresa tem sozinha 31% do mercado de infraesturura na nuvem, seguida por Microsoft (11%), IBM (8%) e Google (5%). Alguns analistas apontam o Alibaba como um player emergente, pela sua força na China. A Oracle não aparece na lista.

Além disso, os resultados da companhia ainda vem em grande parte do modelo antigo de vendas. No primeiro trimestre fiscal da empresa, o faturamento da empresa foi de US$ 8,6 bilhões, uma alta de 2% no qual software instalado localmente representou US$ 6,8 bilhões.

Mesmo assim, convém não subestimar a capacidade da Oracle de implementar as metas da Elisson.

As receitas de SaaS e PaaS na nuvem foram de US$ 798 milhões, o que significa um aumento de 79%. As receitas totais de serviços na nuvem, incluindo IaaS, onde a empresa quer entrar com força agora, foram de US$ 969 milhões, um aumento de 61%.

* Maurício Renner cobre o Oracle Open World em São Francisco a convite da Oracle.

Tags Oracle nuvem Amazon AWS

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