EXPORTAÇÃO

Carne brasileira enfrenta bloqueios

Por Júlia Merker

Segunda, 20/03/2017 19:45

Carne brasileira enfrenta bloqueios

Nesta segunda-feira, 20, países da União Europeia, China, Chile e Coreia do Sul anunciaram que vão suspender temporariamente a importação de carne do Brasil devido à fraude revelada pela operação Carne Fraca, da Polícia Federal. 

A União Europeia relatou que vai suspender as empresas envolvidas no escândalo. A Comissão Europeia afirma estar monitorando as importações de carne do Brasil e que as empresas investigadas terão acesso negado nos países que fazem parte do bloco.

O Ministério da Agricultura da Coreia do Sul anunciou que vai aumentar as inspeções feitas na carne de frango importadas do Brasil e proibiu, temporariamente, a venda dos produtos de frango da BRF, dona das marcas Sadia e Perdigão. 

No ano passado, mais de 80% da 107.400 toneladas de carne de frango importadas pelo país vieram do Brasil - e quase metade da BRF.

De acordo com a Bloomberg News, os produtos de carne bovina brasileiros que estão a caminho da China não terão permissão alfandegária para entrar no país. De acordo com a agência, a informação foi repassada por uma fonte que pediu para não ser identificada, pois ainda não houve um anúncio oficial do governo do país.

O Chile também passou a barrar temporariamente as importações de carne do Brasil. A Reuters afirma que a informação foi passada pelo Ministério da Agricultura do país.

A operação Carne Fraca foi deflagrada na última sexta-feira e revelou um esquema de pagamento de propina paga a fiscais agropecuários do Ministério da Agricultura brasileiro para que os frigoríficos pudessem vender produtos adulterados. 

Durante a operação, foram cumpridos 38 mandados de prisão, que atingiram executivos de duas empresas - BRF e JBS.

Para o ministro da agricultura brasileiro, Blairo Maggi, a maior preocupação após a deflagração da operação Carne Fraca é a imagem do Brasil e a perda da confiança do consumidor.

“O que está em jogo não é só a reputação das empresas, mas do país como fornecedor. É um tremendo soco na gente. O nosso sistema de controle da sanidade é robusto. Mas, quando tem pessoas corruptas no meio, foge das nossas possibilidades. É muito ruim. Então, o negócio é checar tudo, passar um pente fino”, afirmou, em entrevista ao Estadão.

O presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto de Castro também acredita que a imagem do Brasil no estrangeiro será muito afetada. Ele relatou à Amanhã que o Brasil exporta atualmente quase US$ 12 bilhões (o equivalente a quase R$ 40 bilhões) de carnes bovina, suína e de frango por ano. 

Francisco Turra, presidente da Associação de Proteína Animal acredita que o fechamento do mercado europeu é prejudicial para o Brasil.

“A Europa compra do Brasil e não compra dos americanos. Se tudo isso cair, será um efeito dominó. A partir do anúncio da operação eu sofri muito e principalmente quando não houve a indicação de quem errou. Foram 10 anos abrindo mercados. O Brasil tem 160 mercados abertos, exporta e é respeitado. A Índia estava dando margem para isso e agora acontece a operação”, lamentou em entrevista à Rádio Guaíba.

Tags exportação Brasil governo

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