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Qbex processa Intel

Por Maurício Renner

Sexta, 16/06/2017 11:55

Qbex processa Intel

A Qbex, uma fabricante de eletrônicos brasileira, está processando a Intel nos Estados Unidos em uma ação de US$ 100 milhões pelo que alega serem prejuízos causados por defeitos na linha de chips Atom Sofia da gigante americana.

De acordo com as alegações da Qbex, divulgadas pelo site The Register, a Intel deliberadamente vendeu milhares de chips com problemas de sobreaquecimento, que, em alguns casos, teriam causado queima e até explosão de aparelhos.

Descontinuada em julho de 2016 em meio a um recuo geral da Intel nesse segmento, a linha de chips Sofia da Intel incorporava um modem 3G na sua unidade de processamento, resultando em um produto de menor custo.

É uma oferta ideal para empresas como a Qbex, que colocou um smartphone no mercado com essa tecnologia no final de 2015, a um custo de R$ 599.

Na sua argumentação, os advogados da Qbex afirmam que os problemas causados pelos chips da Intel basicamente afundaram a empresa.

"A Qbex antes conhecida como uma marca de eletrônicos confiáveis e baratos no Brasil é agora conhecido como a marca de smartphones explosivos”, resume a ação judicial da empresa brasileira.

De acordo com o relato da ação, a Qbex investiu US$ 130 mil na preparação do lançamento ocupando 90% da sua capacidade de produção e fazendo 200 contratações.

Os celulares foram lançados em 2015 (com adesivos “Intel Inside” bem visíveis), e, de acordo com relato da QBEX, foram um sucesso vendendo 235 mil unidades até a sua saída do mercado, no final do ano passado.

O problema é que os produtos teriam gerado 35 mil reclamações e 4 mil processos judiciais. A empresa não abriu quantos celulares teriam pego fogo ou explodido. 

Não há cobertura na imprensa brasileira para o problema, o que seria justificado como um exemplo nacional da situação enfrentada na mesma época pela Samsung.

A QBEX afirma ter tido que trocar 18 mil unidades, enquanto possui outras 13 mil em estoque, 20 mil paradas na alfândega e 13 mil em Hong Kong, onde os chips são produzidos por empresas terceiras ligadas à Intel.

O centro do argumento da QBEX é que o aquecimento dos aparelhos é provocado pelo chip, o que seria provado por um estudo da própria empresa, e que a Intel sabia que o chip tinha problemas, afirmação para a qual não apresenta maiores corroborações.

Procurada pelo Register, a Intel disse através de um portavoz que está avaliando o assunto, mas que “não tem evidências que o sobreaquecimento alegado pela Qbex foi causado pelo nosso produto”.

O tamanho do estrago causado pelos problemas dos celulares na Qbex também é discutível. 

No texto, os advogados pintam o quadro de uma parceria sólida da Intel com o crescimento em alta.

Enquanto a primeira alegação é consistente (a Qbex foi a primeira latino americana a lançar um ultrabook com chip Intel) a segunda é bem mais vaga.

A Qbex só abriu o faturamento de 2005, quando entrou no mercado de PCs e fechou o ano com US$ 1,3 milhão e o de 2012, que foi 65 vezes maior: US$ 85 milhões.

A empresa não abriu seus resultados para 2013, 2014 e 2015, antes do lançamento do novo produto com chip Intel e já durante o desaquecimento da economia brasileira.

A crise econômica causou problemas sérios para muitas empresas do mesmo perfil da Qbex, dependentes de produtos com margem de lucro baixa orientados a um mercado de massa.

A Positivo, maior empresa brasileira do ramo e provavelmente o benchmark da Qbex, fechou 2016 com queda de 20,9% na receita líquida e prejuízo de R$ 79,9 milhões.

De qualquer forma, a Qbex deve conseguir obter um acordo com a Intel sem maiores problemas. A pedida de US$ 100 milhões é trocado no contexto da gigante americana.

 Os chips problemáticos adquiridos pela Qbex foram parte de um esforço da Intel para penetrar no mercado de mobilidade. 

 A tacada teve um custo estimado por analistas US$ 10 bilhões em três anos e deu em nada.

Tags mobilidade Intel chips Qbex

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